quinta-feira, 19 de março de 2009

Trechos de um livro quase pronto - Parte 2

"Pensou em seu ‘deus’ e, observando a natureza que desvendava-se aos seus olhos, ratificou mais uma vez a sua indubitável existência. Qual teria sido o primeiro contato do homem com esse pensamento, o da existência de um ser superior e criador de tudo? E começou a pensar sobre os povos antigos e o medo que deviam ter da natureza indomável, das chuvas, dos terremotos, da força das águas, do fogo, da noite escura, do sol. Assim formaram-se os primeiros deuses, o deus do sol, o deus do fogo, o deus das águas, o deus dos ventos, e assim começou o respeito e a adoração. Todos os povos antigos, sem exceção, cultuavam vários deuses, eram politeístas, como algumas tribos e comunidades isoladas, ainda hoje. Porém, sempre havia entre esses deuses um que era o mais notável, o mais sábio ou o mais forte. Na Grécia, por exemplo, berço da mais rica mitologia, que influenciou todos os povos ocidentais, e que fazem parte, até hoje, de vários mitos e crenças populares, o deus superior era denominado ‘Zeus’, que era o ‘chefe’ do Olimpo, habitat de todos os deuses. Fica claro, sem dúvida, que é inata ao ser humano a necessidade de acreditar em um deus; isso, falando com a razão. Interessante é que esse sentimento, essa crença num ser superior, aparece naturalmente em pessoas com um pouco mais de raciocínio e lógica; nos outros casos, as pessoas acabam simplesmente aceitando a imposição dos pais e do ambiente em que nasceram e foram criadas, como comunidades religiosas e aí por diante. Outras acabam se tornando ateias, por se acomodarem com a sua instrução e desistir de buscar respostas; ou até mesmo por excesso de razão. Julgam que o que aprenderam através de ensinamentos nos alfarrábios é suficiente para explicar a composição de nosso corpo físico, os nossos sentidos, os nossos pensamentos; julgam que os nossos sentimentos e nossos desejos são resultados de reações químicas do nosso organismo; julgam que a nossa experiência, a nossa evolução e tudo o que aprendemos nessa breve passagem, se perde com a morte física do nosso corpo material, tornando, assim, a nossa vida efêmera e sem sentido, sem perceber que, desta forma, menosprezam a nossa existência e o próprio ser humano. E, talvez por desídia, desistem de tentar descortinar os véus do desconhecido, já que, para eles, não existe desconhecido, uma vez que têm a explicação científica de tudo."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário.